O judoca não se aperfeiçoa para lutar,
luta para se aperfeiçoar.
Jigoro Kano
O judoca não se aperfeiçoa para lutar,
luta para se aperfeiçoar.
Jigoro Kano
Assente na obediência aos princípios do Judo como desporto de carácter formativo, num equilíbrio entre o exercício da mente e do corpo, o judo é uma modalidade olímpica desde 1964 e recomendado pela UNESCO como um dos desportos mais adequados para crianças e adolescentes.
CRIAÇÃO
O japonês Jigoro Kano, que era pequeno e fraco começou a praticar Ju-Jitsu aos 18 anos. Depois de algum tempo, observou que as suas técnicas poderiam ter um valor educativo. O seu objectivo era transformar aquela tradicional arte marcial num desporto que pudesse trazer benefícios para o homem. Criou então um método próprio, a que chamou de Nihon Den Kodokan Judo, eliminando os golpes que poderiam provocar lesões. Com esta adequação educacional, o judo foi transformado em disciplina de educação física nas escolas.
SIGNIFICADO
Em 1882, o professor Jigoro Kano fundou o Instituto Kodokan, marcando também o nascimento do judo. O judo é destinado à formação e preparação integral do homem através das actividades físicas de luta corporal e do aperfeiçoamento moral. A palavra judo significa “caminho suave”.
O JUDO EM PORTUGAL
Em Portugal os primeiros contactos (documentados) com o Judo, datam da primeira década do séc. XX. Realizaram-se a bordo de um navio da marinha nipónica ancorado no Tejo onde oficiais japoneses efectuaram uma demonstração de Judo para os visitantes. Em Portugal, assim como no Japão, as raízes dos Judo estão intimamente entrelaçadas às do Ju-jitso. Nas primeiras décadas do séc.XX vários mestres de Ju-jitsuo visitam Portugal, e tanto o Ju-jitsu como o Judo penetraram levemente em alguns sectores da sociedade. Este interesse pelo Ju-jitsu e Judo adquire uma expressão mais visível na introdução do ensino de técnicas de defesa pessoal aos agentes da policia cívica do Porto (1936), na publicação de alguma bibliografia, e mais tarde na criação da academia de Budo (1956) fundado por António Correia Pereira, o primeiro cinturão negro português reconhecido pelo Kodokan.
Mas estes primeiros desenvolvimentos da modalidade em Portugal irão ter muito pouco impacto na formação da FPJ e na configuração que o Judo apresenta hoje em dia.
Em 1955 chegam a Portugal os mestres Henri Bouchend ´Homme e Anthony Stryker, começam a leccionar Judo, e do contacto entre os alunos dos dois mestres surge a ideia de formar um clube de Judo, ideia esta que se materializou na criação do Judo Clube de Portugal (12 Julho 1957)[2].
Em 1958 Kiyoshi Kobayashi chega a Portugal, considerado por muitos “o pai do Judo português”. O mestre revolucionou por completo o panorama do Judo em Portugal, lecciona em vários clubes partilhando incansavelmente todo o seu conhecimento técnico, incute uma disciplina de treino regular, implementa novas metodologias de treino e homogeneíza o panorama técnico nacional. Kobayashi também forma algumas das figuras mais relevantes da história do Judo português, entre elas, José Manuel Bastos Nunes presentemente o judoca português mais graduado (8º dan). O mestre nipónico está intimamente ligado à criação da Federação Portuguesa de Judo (F.P.J) onde é membro honorário e onde foi seleccionador nacional por vários anos, por todas estas razões Kobayashi é hoje considerado por muitos uma das figuras mais centrais da história do Judo nacional.
O crescente desenvolvimento do Judo em Portugal criou a necessidade de conceber um organismo oficialmente reconhecido que fosse responsável pela divulgação, orientação e organização das actividades ligadas ao Judo, neste contexto é criada a F.P.J28 de Outubro de 1959[3], Em 1961 a F.P.J torna-se membro efectivo da União Europeia de Judo (UJE), e em 1964 Fernando Costa Matos defendeu as cores nacionais nas olimpíadas de Tóquio onde o Judo, pela primeira vez, fez parte do quadro das modalidades praticadas.
A revolução dos cravos (1974) trouxe uma serie de mudanças para o panorama do Judo nacional. A democratização do tecido nacional português a introdução de novas políticas desportivas e a reorganização do funcionamento da FPJ com a descentralização das actividades ligadas ao Judo através da criação das associações distritais, são talvez os principais factores que mais contribuíram para o crescimento do Judo nacional. Este intensifica-se na década de 80 onde atletas como Hugo Assunção, António Roquete de Andrade e João Paulo Mendonça marcam presença assídua nos campeonatos da Europa e J.O. Mas é só na década de 90 que o Judo português começa a conquistar medalhas nos torneios de maior relevo a nível internacional, destacam-se os feitos de Filipa Cavalleri conquista a primeira medalha Mundial Sénior 1995, seguida de Guilherme Bentes com primeira medalha Mundial masculina 1997, Pedro Soares conquista o mítico torneio de Paris 1998, após recuperação 8 meses inédita de uma cirurgia a coluna, arrecadando ainda várias medalhas europeias, sendo as duas últimas na mesma prova em 2002 na categoria mais de 100kg e Open, respectivamente.
Em 1958 Kiyoshi Kobayashi chega a Portugal, considerado por muitos “o pai
do Judo português”. O mestre revolucionou por completo o panorama do Judo em Portugal, lecciona em vários clubes partilhando incansavelmente todo o seu conhecimento técnico, incute uma disciplina de treino regular, implementa novas metodologias de treino e homogeneíza o panorama técnico nacional.
Na década de 2000 o Judo nacional reforça ainda mais a tendência de crescimento das décadas anteriores, Portugal passa a receber algumas das grandes provas do circuito internacional: Taça do Mundo Feminina Lisboa, 2007; campeonato da Europa de Seniores Lisboa, 2008, Taça do Mundo Lisboa 2010. Michel Almeida 2000, João Neto 2008 e João Pina consecutivamente em 2010 e 2011 arrecadaram ouro no Campeonato da Europa. Nuno Delgado conquista a primeira medalha Olímpica no Judo (Bronze) para as cores nacionais (Sydney, 2000), adicionando-a a várias outras, entre elas a de 1º Campeão Europeu do judo português (Bratislava 1999). Os leões do Sporting conquistam dois bronzes na Golden League (Clubes), 2015 e 2016 liderados pelo Mestre Pedro Soares, feito inédito para Portugal. 16 anos depois da primeira medalha olímpica portuguesa para o Judo e depois do desaire de Londres onde o Judo não consegui uma única vitória, Telma Monteiro repete o feito alcançando a medalha de Bronze nas Olimpíadas do Rio Janeiro, com uma equipa e projeto liderado por Nuno Delgado, que se fez acompanhar pelos maiores técnicos da nossa modalidade. Telma com esta Medalha coroa uma carreira, de feitos consecutivos de maior relevo no Judo Português nomeadamente 5 título Europeus e 11 Medalhas Mundiais, que ainda promete. O Judo português alimenta grandes expectativas para o próximo ciclo Olímpico, onde os Jogos se realizam no País de origem do Judo, Tokio 2020.
BIBLIOGRAFIA:
BRANCO, José Costa; SILVA, David Monge da; MATOS, Fernando Costa; CARVALHO, Fausto Martins de Judo, Centelha, 1983.
FERREIRA, José. O Judo em Portugal.Disponível em judolandia.tripod.com
JUDO CLUBE DE SINTRA. JUDOKAI – Manual de Formação para Graduação em 1º DAN – JUDO. Disponível em www.judokai.pt
MATOS, Rita. 50 Anos da Federação Portuguesa de Judo, Lisboa, Rolo & Filhos II, S.A., 2009
MINURO. Essência do Judo, Lisboa, Soc. Tipográfica, Limitada, 1950.
SITES:
www.cjporto.pt
www.fpj.pt
www.intjudo.eu
ubu.no.sapo.pt
www.comiteolimpicoportugal.pt
www.judoclubeportugal.pt

Jigoro Kano
Foto: kodokanjudoinstitute.org